sexta-feira, 22 de abril de 2011

Os Olhos da Cidade

   O caldeirão político da cidade começa a esquentar novamente. O povo da cidade tem os olhos voltados aos fatos que tem destruído a memória da cidade, que são as memórias enterradas.
   Os olhos da cidade vêem as ruínas de sua infância e a infância de seus pais e avós. Os olhos da cidade apenas vêem.
   São estes olhos que podem no próximo ano manter ou alterar esse passado. Sim! O presente agora é determinante da permanência do passado. Dos antepassados que no meio do mato e da distancia, fizeram essa cidade se tornar o que é hoje.
Mas, o que é de hoje?
   De hoje temos um povo com olhos atentos. Olhos muito atentos. Atentos a toda terra que foi emersa em um soterramento moral, que fez com que esses olhos ao invés de se fecharem, se arregalarem.
   Temos uma cidade. Ainda temos?
   Temos pessoas representando o povo. Ainda temos?

   O que ontem era defensor do povo, hoje passa a ser defensor de sua vida financeira, de seus investimentos.
 Mudou-se a visão de alguns dos olhos defensores do povo. Vergonha.
   Os olhos da cidade continuam vendo essa transformação. Política é uma grande transformação de pessoas, de valores, de moral, de caráter.
   Mas... mesmo assim, os olhos da cidade não se fecharam, se arregalaram e estão atentos.
   E, como em um texto predestinado, os olhos da cidade, como as pedras que são predestinadas, mantém-se firmes.
   À espera de um momento em que possa se fechar, e finalmente voltar a confiar. Confiar naqueles que neles foram confiados.

por Helena Petrovna

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